Doces vazios usando Blue Velvet


Ele usava um maravilhoso casaco de veludo azul, era o oceano mais profundo e delicioso. No sorriso intensamente malicioso, eu me iluminava. Nos olhos esverdeados, eu podia ver suas reais intenções, podia ver sua linda alma negra. Os cabelos levemente despenteados me lembravam uma relva numa noite quente de verão. Que mãos grandes e lindas tens ele. Ele podia me abraçar e segurar a vida toda.
Os pingos de chuva percorriam pelas suas costas, aquilo era tremendamente convidativo. Naquela simples cena, achei que minha vida já teria valido a pena. Novamente nossos olhares se cruzaram, ele era uma mistura de leão com pele de cordeiro, não poderia ser mais assustadoramente excitante.
Ofereceu-me uma taça de vinho, aquilo só poderia ser um sinal. Ficava ainda mais malvado e atrativo segurando firmemente aquela dose de sangue. Não poderia ter mais medo, mistério e luxúria envolvidos.
Só éramos nós dois naquele chalé perdido no meio do inexistente. Eu quero que ele avance um sinal.
Um toque na mão foi o estopim para essa minha mente doentia e inquietante armar mil planos, ter mil ideias, quase, ou melhor, todas ligadas ao proibido, ao que eu nunca deveria fazer, mas que era minha maior necessidade. A vida bem poderia ser mais do que apenas isso.
O casaco azul deslisava sobre seu corpo esguio, caiu no chão. Naquele mesmo segundo eu tive certeza do que estava prestes a vir. Sentei no leito, suas mãos desciam sob meu corpo. O único ruído que interrompia aquele ato sublime eram suas palavras vazias, inconstantes e apaixonadas.
"Eu te amarei até o fim dos tempos. Esperaria um milhão de anos para te ver de novo".
Por que me iludir? Por que rasgar meu coração com suas palavras? Há um vazio em mim agora.
Como é difícil viver, como é doloroso amar.


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